quarta-feira, 31 de maio de 2017

Olhos de jabuticaba

Não sei como me prendera,
talvez fosse
por seus lindos olhos pretos.
colossais!
Maiores que o tempo e o espaço
talvez teu riso frouxo
teu cabelo bagunçado
Talvez fosse teu jeito doce,
quem sabe até o jeito firme
de olhar nos olhos.
Fortes olhos de menina.
Teu tom delicado e firme,
ou no balançar das palavras,
que fluíam numa doce melodia,
ritmada e bem conexa.
E eu, como gostava de palavras,
poderia ganhar tardes
ouvindo você discernir,
sobre o tudo e sobre o nada,
olhando em teus olhos
parado, meio bobo,
apenas ouvindo tuas doces palavras
saboreando teu doce olhar de jabuticaba.

domingo, 28 de maio de 2017

As noites

Sob a chama de uma vela,
quase extinta,
não poderia ter a certeza se ria.

Apenas sentia brilhar teu riso
doce e cheiroso,
feito goiaba madura.

Sentia o calor que emanava
da tua pele cálida,
era como um imã ao meu furor.

Os meus olhos enganavam-se,
correndo uma leitura antiga,
e a cada linha fugiam a procura dos teus.

Olhos insanos, dúbios.
Hipnotizantes, talvez.
Firmes, certamente.

E por estes olhos
ardia ávida paixão,
Eloquente paixão.

E ainda assim
não havia insensatez na ideia.
Tão pouco era efêmera.

Entre os devaneios
aspirava beijar teus lábios
e repousar em tua alcova.