domingo, 28 de maio de 2017

As noites

Sob a chama de uma vela,
quase extinta,
não poderia ter a certeza se ria.

Apenas sentia brilhar teu riso
doce e cheiroso,
feito goiaba madura.

Sentia o calor que emanava
da tua pele cálida,
era como um imã ao meu furor.

Os meus olhos enganavam-se,
correndo uma leitura antiga,
e a cada linha fugiam a procura dos teus.

Olhos insanos, dúbios.
Hipnotizantes, talvez.
Firmes, certamente.

E por estes olhos
ardia ávida paixão,
Eloquente paixão.

E ainda assim
não havia insensatez na ideia.
Tão pouco era efêmera.

Entre os devaneios
aspirava beijar teus lábios
e repousar em tua alcova.

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