segunda-feira, 26 de junho de 2017

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Teus olhos de flores


As flores dos teus olhos eram azuis.
Feito as tardes de domingo
da primavera que eu te conheci.

Eram doces tardes,
como teu doce jeito.
O sol não tinha a menor graça,
diante do brilho dos teus olhos.

O violão emanava
uma bela harmonia,
mas o mundo parecia mudo
diante do som das suas palavras.

Da forma hipnotizante
como pronunciava
as suas palavras.

E eu como, gostava de palavras,
me deliciava,
com os seus sussurros.

Você exalava um jeito felino.
E cravava em meu peito,
as garras do desejo,
e doces palavras.

domingo, 18 de junho de 2017

Tempo do sufoco

Trazia no peito
algumas angustias
de um mundo doente.

Incondizente
com o sorriso no rosto
sentia o peso dos tempos,
ainda que moço.

Não sucumbia aos males,
que afligia a tantos outros ,
tantos tontos.

Alguns chamava-o de louco,
porque ele entendia o sufoco,
das dores dos outros.

Pobre garoto,
a vida mal começava,
e já trazia na pele
marcas do tempo do sufoco.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Oca

Por entre caminhos
límpidos.
Nuvens de calmaria.
Viajando
em queda livre,
pra cair no mei do mato,
pelas beiras da cachoeira,
e cair na tua rede.
Embaixo de tua oca
matar a minha sede.
La pro fim da tarde,
caminhar por tua trilha,
chega lá pra ribanceira.
Ver o sol morrer no mar,
e beijando tua boca,
ver meu corpo,
morrer em tua rede.

domingo, 11 de junho de 2017

Firmamento


Entre o espaço
das tuas pernas
vi o paraíso.

Entre os espaços
da minha mente
perdi o juízo.

Entre o espaço
da tua casa
fiz meu abrigo.

Entre os espaços
fora de tua terra
vi prejuízo.

Entre o espaço
das horas
gastei o tempo.

Entre os espaços
de nossos nomes
fizemos o firmamento.

Entre o espaço
das estações
fiz nossos alimentos.

Entre o espaços
dos dias
vivi os melhores momentos.

Entre o espaço
das decisões
amadurecemos.

Entre os espaços
do céu e da terra
vivemos.

Entre o espaço
de uma vida e outras
refaremos o firmamento.

Entre os espaços
de futuras vidas
nos reencontraremos.



terça-feira, 6 de junho de 2017

Lamurias de um jovem trovador

Tardes febris, de um verão escaldante,
em que eu passava deitado em seu busto.
Ouvindo as baboseiras
sobre o jeito que você via o mundo.

Eu ouvia tuas palavras atento,
mesmo elas não tendo
o amargor e a rispidez
que o mundo se apresentava
nesses novos tempos.

Era doce sua visão de menina,
a minha seca e cruel.
*Você me dizia
que eu era muito moço ,
pra tanta tristeza.
Pra deixar de coisa,
e cuidar da vida.
Antes que chegasse morte,
ou coisa parecida.
E me arrastasse, moço,
Sem ter visto a vida.*

Eu guardei estas tardes
No éden dos meus pensamentos.
Tardes contentes,
de um mundo doente.




*Trecho inspirado no verso final da canção Na hora do almoço de Belchior.


domingo, 4 de junho de 2017

As estações

Tinha na face
uma expressão doce e cálida.
Perfumada como a primavera.
Apesar dos olhos aparentassem
Ser tempestades torrenciais.

O corpo era quente,
Como um escaldante verão.
Exalava um ar de mistérios,
despretensioso desejo.

O coração despia-se
feito folhas de outono,
Voltaria a se recompor.
Florir-se-ia outra vez.

E o humor,
mesmo frio como o inverno,
sorria um riso de flor,
anunciando a próxima estação.